Impressão 3D e seus impactos no mercado imobiliário

Impressão 3D: materiais de construção colocados em cima de um teclado de computador

O futuro pertence às máquinas. E nós entendemos bem essa máxima quando voltamos nosso olhar para a realidade. Hoje, as assistentes virtuais acendem luzes por comando, os drones supervisionam obras no nosso lugar e os refrigeradores se conectam à internet para melhor nos atender.  

Mas é claro, deve existir um limite para essa autonomia das máquinas, não é verdade? Afinal, não seria possível que uma máquina construísse, por exemplo, uma casa.  

Pois é aí que você se engana! Nós atingimos sim um nível de digitalização tão grande que criar imóveis do zero utilizando a tecnologia não é apenas possível: é completamente realizável.  

Claro, isso não quer dizer que não existam implicações para a prática. O mercado da construção civil emprega mais de 6,7 milhões de pessoas somente no Brasil (CBIC, 2020). Portanto, é de se esperar que a renúncia à mão de obra humana tenha impactos severos sobre o setor.  

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Primeiramente, o que é impressão 3D? 

Impressão 3D: closeup de impressora 3D imprimindo em metal

A impressão 3D é um processo aditivo, por isso também leva o nome de fabricação aditiva.  

Isso quer dizer que, durante o procedimento, são adicionadas camadas de determinado material em sobreposição para que, assim, um novo objeto seja produzido. Uma máquina de impressão 3D produz através do corte transversal, da base para o topo. Ou seja, a impressão corta o material ao meio e vai de um lado ao outro do objeto.  

Muitas coisas podem ser usadas numa impressão 3D, mas os materiais mais comuns são o plástico e as ligas de metal.  

De acordo com o Autodesk, dentre as muitas possibilidades da fabricação aditiva, destacam-se: 

  • Criação de protótipos  
  • Peças leves  
  • Produtos aprimorados de forma funcional 
  • Implantes médicos personalizados 
  • Ferramentas, gabaritas e recursos 
  • Padrões de fundições de metal  

No entanto, as utilizações da impressão 3D vão além. Atualmente, ela também já está presente no mercado imobiliário e na construção civil, dividindo opiniões e dando muito o que falar.  

 

Impressão 3D no mercado imobiliário 

Sim, a impressão 3D chegou ao mercado imobiliário. Mas disso você provavelmente já sabe.  

As maquetes são nossa maior prova de que a impressão 3D realmente funciona para o setor. Através da técnica, é possível produzir protótipos muito fiéis dos empreendimentos imobiliários. Ter uma representação profissional e bem feita do imóvel conta muito na experiência do cliente.  

Impressão 3D: impressão de maquete de casa

Poder observar a versão diminuída da sua futura casa pode ser essencial na hora de decidir comprar um apartamento na planta, por exemplo. Lá, o consumidor pode visualizar áreas de lazer e até mesmo a própria unidade. Tudo isso gera um reconhecimento muito maior e, consequentemente, mais urgência de compra 

Mas a aplicabilidade da fabricação aditiva tomou proporções ainda maiores. Como te falei no começo do texto, criar casas por meio da impressão 3D não é mais um projeto de ficção científica. 

 

Impressão 3D na construção de casas 

O que você diria se eu te contasse que é possível construir 10 imóveis em menos de 1 dia? Loucura, certo? Então, a verdade é há quem considere isso uma tarefa praticável.  

Esse é o caso da empresa chinesa que já construiu as primeiras casas através da impressão 3D. A organização Win Sun New Materials tem apostado suas fichas na construção civil digitalizada e com apenas quatro impressoras é capaz de produzir diversos imóveis. 

A construção em impressão 3D acontece da seguinte forma: antes de tudo, são impressas e sobrepostas grandes placas do material, que no caso das casas da Win Sun é composto por cimento e fibras de vidro (Fonte: Revista EXAME). Em seguida, uma pessoa é responsável por alinhar esses imensos blocos de placas uns sobre os outros, construindo, assim, as paredes do imóvel.  

Impressão 3D: imagem de casa construída por impressão 3D

Modelo de casa construída por impressão 3D pela empresa ICON, no Texas. Fonte: Conexão Planeta.

Uma outra proposta da organização para o futuro é reciclar materiais usados na construção civil tradicional, como restos de cimento. Isso pode diminuir os impactos ambientais da prática e também o custo final do empreendimento para o consumidor.  

Win Sun e suas casas inovadoras vêm fazendo estrondo na mídia por muitos motivos. Um deles é o questionamento praticamente impossível de não ser levantado: se a construção civil se tornar completamente digitalizada, o que acontece com a mão de obra humana? 

 

Impressão 3D x Desemprego 

Não tem como negar, a ideia de que impressoras sejam capazes de construir casas causa certo medo quando o assunto é oferta de emprego. Não seria a primeira vez que sentiríamos receio de a mão de obra humana ser parcial ou totalmente substituída pela tecnologia, afinal. 

Quando olhamos para o passado, damos de cara com uma série de momentos em que a máquina ameaçou a presença do ser humano. Durante as revoluções industriais, o que mais se temia era que a linha produtiva em massa fosse consumida pela robotização, vista como “mais eficiente”, e as pessoas deixassem de ser essenciais para a operação. 

Construtor segurando capacete de obras

Com a nova era da construção civil, as chances são de que a mesma comoção ocorra, e não é sem fundamento. O setor emprega um dos maiores índices da população economicamente ativa no Brasil. É seguro dizer que muitas pessoas dependem da construção, e nutrir um certo temor perante a possibilidade de perda do emprego é mais que normal.  

Todavia, a mesma história vem para nos mostrar que, na verdade, existem dois lados da moeda. Ao passo que empregos tradicionais ficam parcialmente prejudicados com a tecnologia, novos empregos são gerados como demanda dessa mesma tecnologia 

Mas se isso não é o suficiente para acalmar os ânimos, talvez os benefícios por trás da prática nos ajudem a compreender melhor os motivos pelos quais ela existe. 

 

Benefícios da impressão 3D 

Muito embora a construção por impressão 3D levante algumas sobrancelhas, é impossível negar seus benefícios. A técnica oferece mais praticidade à construção civil e chega com inovações grandiosas para o setor. Aliás, inclusive quem não utiliza a impressão 3D pode se favorecer dela.  

A impressão 3D na construção civil: 

  • Diminui o tempo das obras 
  • Otimiza a sustentabilidade do setor 
  • Tem propósitos sociais  

Diminuição do tempo das obras 

Alicerçar e levantar uma casa leva muito tempo. Semana, meses. Construir todo um empreendimento então… Pior ainda. Mas a impressão 3D chega para cortar o tempo e consequentemente os cursos de uma obra pela raiz.  

Com ela, é possível construir mais em menos tempo. Tendo as pessoas certas para supervisionar o processo, manusear as máquinas e alocar os conjuntos de material, construir é muito mais fácil, prático e rápido.  

Sustentabilidade através do reuso 

Como falei anteriormente, uma das propostas dessa nova medida de construção diz respeito ao uso de materiais residuais. Dessa forma, o lixo gerado após uma construção diminui consideravelmente, podendo ser utilizado para a criação de novos imóveis como prática sustentável 

Essa reutilização não faz bem apenas ao meio ambiente, mas ao bolso. Com ela, os custos de matéria-prima caem substancialmente e, assim, o custo inteiro da obra é positivamente afetado.  

Propósito social: moradias populares 

Casal dança na cozinha enquanto filha assiste sentada na bancada

Finalmente, chego ao ponto mais importante deste artigo: o propósito por trás do uso da tecnologia na construção de casas. Não é apenas sobre diminuir custos, não é apenas sobre conciliar mão de obra humana e maquinária. É também sobre mudar vidas.  

Os custos finais de um imóvel têm crescido no último ano em decorrência do aumento da taxa SELIC que, em fevereiro de 2022, ficou definida em 10,75% ao ano (Blog Nubank). Ou seja, concretizar o sonho da casa própria está cada dia mais difícil, sobretudo para as famílias mais humildes. 

Pois bem. A ideia com as moradias impressas é que, com todos os abatimentos de custos mencionados acima, comprar uma casa possa custar apenas em torno dos $ 4.000 (R$ 21.200). Colocando em parâmetros comparativos, esse não chega nem a ser o valor de uma entrada numa casa tradicional. 

 

Conclusão: o que nos impede de aplicar a técnica? 

A impressão 3D já está presente no mercado imobiliário nacional, mas não da forma como poderia estar. Claro, já usamos maquetes em 3 dimensões, softwares de projeção 3D como AutoCAD, impressoras de baixo custo e muito mais. Contudo, a parcela mais robusta da proposta, que é a impressão de moradias completas, ainda está em sua fase embrionária, tendo sido aplicada por poucas organizações no Brasil.  

E, com isso, não podemos deixar de nos perguntar: o que nos impede de aplicar a impressão 3D em sua forma plena? É o medo do desemprego? É o amor pelo tradicionalismo? 

Bem, a verdade é que não existe resposta certa para essa pergunta. O cenário da construção civil nacional é complexo e, se por um lado ansiamos pela modernidade, por outro temos medo das consequências dela para o setor. Assim, muitas questões ainda nublam o assunto da impressão 3D, tais como: 

  • Qual a duração de um imóvel do tipo? 
  • Como são aplicados os sistemas hidráulico e elétrico? 
  • Qual o comportamento dessas moradias em caso de incêndio e enchente? 
  • Quais são os regulamentos para realização de reformas? 

Além dessas, muitas outras perguntas são feitas. E fazê-las é mais que esperado numa situação tão nova e cheia de porquês. Mas os impedimentos não terminam nessas perguntas. Também deve-se levar em conta os custos de compra, manutenção, transporte e armazenamento do equipamento, bem como da capacitação de colaboradores para operá-los.  

Por fim, percebemos que, como muitos novos fenômenos, a impressão 3D não é fundamentalmente boa ou ruim para a construção civil. É mais uma novidade que deve ser considerada, estudada e analisada para, quem sabe, ser colocada em prática.  

 

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