Empreendedorismo Feminino: conheça três histórias inspiradoras

Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino

Em 19 de novembro, é comemorado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino e o Blog do CV vai contar a história de três mulheres que desafiam padrões no mercado imobiliário e na indústria da construção civil. Mas, antes, vamos entender um pouco mais sobre a data e o que significa empreendedorismo feminino.  

A data foi criada em 2014 e é uma iniciativa das Nações Unidas em parceria com diversas instituições globais de incentivo às mulheres que comandam seus próprios negócios. Trata-se de uma campanha contra a desigualdade de gênero que ainda é muito forte no mercado de trabalho. Porém, mesmo com as dificuldades existentes, a representatividade feminina nos negócios vem crescendo, no Brasil.  

De acordo com um estudo realizado pela Rede Mulher Empreendedora, a presença de mulheres à frente de empresas cresceu 40% em 2020 no país. O número de mulheres empreendedoras já ultrapassa 8,6 milhões no Brasil, segundo levantamento do Sebrae, com base em dados do IBGE.  

 

Mas o que significa empreendedorismo feminino? 

Segundo o dicionário, empreender significa decidir, realizar, pôr em execução. Quando colocamos esta ação nas mãos de uma mulher, temos o empreendedorismo feminino. Mas, não é só isso. Existem dois vieses de análise que podem ser ressaltados no empreendedorismo feminino. São eles o individual e o coletivo.  

Contrariar as tendências e barreiras para abrir seu próprio negócio e conduzir sua carreira tomando as rédeas do seu caminho profissional é um ato inspirador e corajoso de uma mulher. Mesmo sendo considerada uma atitude individual, ela reverbera e incentiva outras mulheres.  

No âmbito coletivo, o empreendedorismo feminino é visto como um movimento. A participação de mulheres nos projetos e empresas comandadas por mulheres cria uma aliança que fortalece o universo feminino. Quando mulheres decidem consumir produtos de tais empresas, priorizando as mesmas, elas ajudam a quebrar paradigmas desiguais sobre as lideranças femininas no mercado de trabalho.  

 

Histórias inspiradoras 

Agora, que já entendemos a importância dessa data e o que significa empreendedorismo feminino, vamos conhecer a história de três mulheres que estão à frente de empresas em ramos que foram, por muitos anos, predominantemente masculinos. Estamos falando do mercado imobiliário e da construção civil.  

 

“O empreendedorismo está no meu DNA” 

Muitas mulheres seguem o caminho dos negócios por terem exemplos na família. O avô fundou aquele mercadinho no bairro, o pai tinha uma loja de ferramentas, o irmão abriu uma lanchonete. No caso de Mariana Barreto, não eram apenas os homens na família que tinham uma veia empreendedora. Tanto seu avô quanto sua avó tinham seu próprio negócio. 

O casal empreendedor conseguiu inspirar todos os filhos e filhas, que também se tornaram gestores e gestoras de suas empresas. “É por isso que eu digo que o empreendedorismo está não só no meu DNA, mas também no de toda a minha família. Quando eu era criança, eu gostava de brincar de vender coisas e não apenas de boneca”, comenta Mariana que hoje é Diretora Administrativo-Financeira da construtora Jotanunes. 

A Jotanunes surgiu em 1987, na capital sergipana Aracaju. Atualmente, a construtora atua nos estados de Sergipe, Pernambuco e Bahia oferecendo imóveis em diversas áreas, mas principalmente para habitação em parceria com o Governo Federal.  

Quando a empresa foi criada, Mariana tinha apenas um ano de idade. Aos 17, ela entrou para o negócio da família como estagiária. “Como eu comecei muito cedo na Jotanunes, eu tive a oportunidade de trabalhar em todos os setores administrativos da empresa e isso me ajudou a adquirir conhecimento e experiência, duas características muito importantes para que eu pudesse quebrar paradigmas e assumir um cargo na diretoria da empresa no futuro”, conta.  

Para Mariana, ser gestora em um universo que ainda é predominantemente masculino, como o da construção civil, é um desafio a mais. “E é por ainda existir áreas onde as mulheres não conseguiram igualdade que o empreendedorismo feminino é tão importante. Mas, para mim, a gratificação maior vai além disso. Quando eu percebo o número de famílias impactadas com o meu trabalho e como ele contribui para que elas tenham uma qualidade de vida melhor através de emprego e moradia, eu vejo o quanto empreender é viciante e necessário na minha vida”, destaca Mariana.  

 

“Quando tu tens conhecimento e segurança, tu conquistas o teu espaço e teu respeito” 

No Brasil, a mulher é quem mais investe em capacitação. Elas são maioria nas universidades, em pós-graduações, MBA’s e uma série de treinamentos importantes. Quem entendeu, desde cedo, a importância do conhecimento para crescer no mercado de trabalho e romper as barreiras da desigualdade de gênero foi Luana Puel.  

Luana é Diretora Comercial, de Marketing, Inovação e Novos Negócios da Lumis Construtora e Urbanismo. Apesar de ter tido a oportunidade de começar a sua carreira na empresa da família, a empresária sempre soube que haveria obstáculos para o seu crescimento. Um deles é a idade.  

“Além de ser um mercado com predominância masculina, a construção civil é também uma área dominada por pessoas mais velhas. Mas, quando tu tens conhecimento e segurança, tu conquistas o teu espaço e teu respeito”, pontua Luana.  

Com isso em mente, a empreendedora, que começou como assistente, buscou estudar e fazer muitos cursos na área. “Eu precisava vencer o que eu não tinha naquele momento da minha carreira, que eram os anos de experiência”, explica. Cada curso que Luana fazia dava a ela mais espaço mercado, tanto em Santa Catarina, como a nível nacional.  

Além dos cursos, a empresária também focou em participar de eventos e ampliar o seu networking. Inclusive, foi assim que ela conheceu o Construtor de Vendas e levou o CRM para a sua empresa.  

Luana acredita que a mulher está cada vez mais conquistando seus espaços, porém reconhece que o trabalho é dobrado. A Lumis Construtora e Urbanismo, por exemplo, é uma das poucas empresas do setor da construção civil que hoje tem 50% do seu quadro composto por mulheres. Porém, ela relata que, no início da sua carreira enfrentou preconceitos e que foi preciso encarar todos eles como desafios. “Além de mulher, eu era muito nova quando comecei. E filha do dono. Eu precisava provar muita coisa para conseguir o respeito que eu merecia”, conta.  

 

“Contra dados não há argumentos” 

Muitas das qualidades atribuídas naturalmente ao comportamento feminino estão conectadas com as exigências do mercado atual. Elas são consideradas características essenciais no mundo corporativo de hoje. A mulher tem mais habilidade na gestão do seu tempo, é multitarefa, tem inteligência emocional mais aguçada e trabalha com espírito colaborativo 

Uma outra característica importante é a criatividade e a percepção de novos caminhos. E quem mostrou ter esse tino bastante aguçado é Lúcia Haracemiv, Sócia-Diretora da DNA de Vendas. Trata-se de uma consultoria que atua com foco exclusivo no desenvolvimento de pessoas, processos e modelos de gestão para o aumento da produtividade em vendas. 

A empresária começou na profissão muito cedo e, apesar de ter se desenvolvido bem na área, foi boicotada pela sua equipe, que era composta em sua totalidade por homens. “Esse cargo inicial de liderança exigiu muito de mim, pois eles não cumpriam processos e rotinas e faziam complôs para me derrubar”, lamenta Lúcia.  

Porém, Lúcia tem o sangue empreendedor correndo em suas veias e decidiu fazer novas contratações na empresa. Seus novos funcionários seguiram o seu modelo de negócio baseado em processos e vendas e, assim, ela mostrou os resultados que queria na empresa. “Contra dados não há argumentos. O CEO comprou o modelo de gestão que eu estava implantando, me dando a oportunidade de mostrar o meu poder de inovação”, comemora.  

Empreender exige mais coragem e capacidade de assumir riscos, além de demandar um posicionamento mais forte dentro da empresa e na negociação com clientes, colaboradores e fornecedores. Mas, Lúcia acredita que existe um desafio ainda maior para as mulheres empreendedoras: conciliar os desafios profissionais e a maternidade 

“A mulher assume mais atividades na criação dos filhos e isso não é apenas cultural, como muitas pessoas pensam. Existe também uma questão biológica. Superar mais esse desafio, porém, nos fortalece e nos ajuda a desenvolver muitas habilidades e competências que os homens não possuem”, explica Lúcia.  

 

Conclusão 

Toda empreendedora sabe que o trabalho é diário e extenso. Por isso, todos os dias devem ser comemorados como o dia da mulher que empreende, que comanda seu próprio negócio, que assume cargos de liderança e encara os desafios do mundo corporativo. E são justamente esses desafios que tornam a mulher mais preparada para o mercado de trabalho, pois fortes e competentes elas já são.  

O Construtor de Vendas vem, através deste artigo, parabenizar e dar voz a todas as mulheres que um dia bateram no peito e disseram: eu posso, eu quero e eu consigo! Feliz dia Internacional do Empreendedorismo Feminino a todas vocês! 

 

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